
Esse novo cantinho da minha cozinha carrega tanto amor, admiração e respeito.
Quase como uma tela, uma obra que eu poderia admirar por horas. Contemplação, talvez, seja a palavra que mais se aproxima do que sinto quando olho para ele.
Ter um pai é tudo. Mas ter um pai artesão, que cria peças com as próprias mãos, que dedica seu tempo fazendo pequenos mimos para você, é algo surreal.
Aprendi, há algum tempo, que essa é uma das formas que ele encontrou de dizer que me ama.
Ele me manda uma foto de uma nova peça que fez e pergunta:
“Gostou? É toda sua.”
E dessa vez foi um combo: uma tábua linda e castiçais para as velas que eu amo.
Reservei um lugar de destaque para eles, onde posso passar várias vezes ao dia e simplesmente ficar admirando.
Montei um centro de mesa único e especial, juntando o vaso, as plantinhas, as contas e uma toalha que conversa com a paleta da minha casa.
Uma decoração simples, feita à mão, mas que mudou completamente a cara da minha cozinha. Trouxe aconchego, luz e aquela energia boa que só a madeira e as plantinhas naturais parecem trazer.
Com certeza, ainda vou mudar muitas e muitas vezes a decoração e a posição das peças — porque gosto de reinventar meus cantos, experimentar novas composições e nunca deixar a casa ficar exatamente igual por muito tempo.
Mas, por enquanto, essa é a minha composição preferida.
E talvez seja justamente porque, quando olho para ela, não vejo apenas uma decoração bonita.
Vejo tempo.
Vejo cuidado.
Vejo as mãos do meu pai.
E vejo, do jeitinho dele, uma forma muito bonita de dizer: “É toda sua.”

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